Manutenção às cinzas

Brasília, 03 de setembro de 2018

Em um País onde decisões técnicas são revogadas por não técnicos, a manutenção vira cinzas carregadas pela brisa acumulando-se pelas superfícies por onde passam, levando uma mensagem de socorro à engenharia nacional.

Nos últimos anos são tantos exemplos de negligência aos normativos e preceitos técnicos que a cálida sociedade só pode lamentar a perda de sua memória histórica, quando não de seus semelhantes.

Observando estarrecida artefatos que esperaram mais de mil anos para serem cremados, incinerados na literalidade pelo fogo que incendiou mais um Museu, mas também "queimados" pelo descaso dos responsáveis pelo envio de recursos e contratação de uma manutenção efetiva.

Das cinzas desse incêndio, as autoridades tentam "apagar outro incêndio" liberando verba de reconstrução que poderiam financiar pelo menos 10 anos de manutenção digna ao Museu, que agora arrefece sua edificação, em medida tardia a manutenção corretiva é mais dispendiosa que a preventiva, mas nesse caso é apenas possível reparar e reconstruir as instalações o que foram queimadas, mas jamais poderemos repor artefatos que eram únicos.

A FENEMI (Federação Nacional de Engenharia Mecânica e Industrial) se compadece com uma irrecuperável memória de mais um lastimável incêndio ocorrido salientando que as ações nesse momento devem ser corretivas, nesse caso, mas preventivas e preditivas nos demais museus e patrimônios da humanidade, fazendo-se a sugestão de mapeamento e implantação de programa nacional para a correta manutenção de nossos acervos nacionais.

Assegurando dessa forma o acesso à nossa história para as gerações futuras e quem sabe promover uma melhor conscientização de todos para que a manutenção seja enxergada como um processo de constante atualização e gestão de nossos ativos, atuando de forma preventiva e progressiva.

FENEMI
Presidente, eng mec. Marco Aurelio Candia Braga
Vice-presidente, eng. mec. Gutemberg Rios